quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Estrangeiros na NBA - Os brasileiros


Há apenas dois dias da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, vamos falar daqueles que não estarão na disputa do torneio. O Brasil será o centro das atenções hoje nessa coluna. Iremos, cronologicamente, lembrar de como eles foram aparecendo na liga e, por consequência, nos dando esperança de dias melhores para a nossa seleção.

Já em 2002, a situação do Brasil no cenário do basquete internacional era preocupante, pois, já naquela época, nossa seleção parecia não ter forças para enfrentar as principais potências do mundo. Enquanto isso, nos Estados Unidos, no Draft daquele mesmo ano, o New York Knicks, com a sétima escolha, selecionou Nenê Hilário, que seria o primeiro brasileiro a jogar uma temporada completa na NBA. Aquilo foi um grande acontecimento. Para se ter idéia, Nenê foi escolhido antes do que jogadores como Amare Stoudamire, Caron Butler, Tayshaun Prince e Carlos Boozer.

Na mesma noite, a direção do Knicks decidiu negociar a sua escolha, junto com o pivô Marcus Camby, com o Denver Nuggets, em troca de Antonio McDyess. Para Nenê, era o lugar perfeito para iniciar a sua trajetória na liga: com pouca pressão nos seus ombros. Com a contusão de Camby, o brasileiro assumiu a vaga de center no quinteto inicial da equipe. Em seu primeiro ano, atuou em 80 partidas e teve médias de 10.5 pontos e 6.1 rebotes por jogo. Disputou o jogo dos novatos no All-Star Game de 2003. Era uma promessa, sem dúvidas. Certa vez, Dirk Nowitzki deu uma entrevista à ESPN Brasil e declarou que Nenê tinha tudo para se tornar uma das estrelas da liga.

Mas o Denver, que era uma equipe muito fraca, foi se fortalecendo. Com a chegada de Carmelo Anthony através do Draft de 2003, Nenê aumentou um pouco as suas médias no seu segundo ano e o Nuggets chegou aos playoffs. Logo a partir da sua terceira temporada, Nenê passou a perder parte da sua importância para a equipe. Muito se deve às contusões e à contratação de Kenyon Martin, que deixou o brasileiro no banco de reservas. Somando as últimas três temporadas, Nenê jogou apenas 81 partidas. É claro que a batalha contra o câncer durante o último ano contribui muito com o seu grande tempo afastado das quadras e, consequentemente, com o estacionamento da sua evolução como jogador dentro da liga.

Um ano após a entrada de Nenê, foi a vez de Leandrinho Barbosa ser selecionado no final do Draft de 2003. Foi escolhido pelo San Antonio Spurs, mas foi trocado com o Phoenix Suns na mesma noite. E foi no time de Arizona que o jogador construiu a sua história. A princípio, amargou a reserva de Stephon Marbury. Quase nunca entrava em quadra, até uma negociação mudar o seu destino.

A negociação envolveu o seu grande amigo e titular absoluto da equipe Stephon Marbury, que foi para o New York Knicks. Howard Eisley, que também estava envolvido na troca, seria o titular. Mas a transação ocorreu no meio da temporada. E em uma partida contra o Chicago Bulls, o então técnico do Suns Mike D'Antoni não tinha muitas opções no elenco. Ainda não podia contar com os novos reforços. Leandrinho foi escalado como titular naquele embate. Sua ótima apresentação convenceu o treinador, que deixou o veterano Eisley como opção no banco de reservas.

Com a chegada de Steve Nash, Barbosa voltou à condição de reserva. Mas como já tinha certa confiança de D'Antoni, entrava cada vez mais nas partidas. Agradava tanto a comissão técnica que foi deslocado para a posição 2, para assim não precisar entrar em quadra apenas quando Nash tivesse cansado. Cada vez mais Leandrinho foi se firmando como peça importante na rotação do Phoenix Suns. Com sua velocidade e habilidade nos arremessos de média e longa distância, adaptou-se ao estilo de jogo que D'Antoni empregava na equipe: o Run and Gun. Na temporada 2006-07, venceu o prêmio de melhor sexto homem. É um dos grandes pontuadores da sua equipe. Tornou-se peça de fundamental importância para o time, conbiçado também por algumas outras franquias.

Alex Garcia, após impressionar Gregg Popovich em uma partida contra os Estados Unidos, foi contratado pelo San Antonio Spurs em 2003. Infelizmente, sofreu muito com seguidas contusões. Não teve uma oportunidade concreta de jogar. Teve também uma passagem-relâmpago pelo New Orleans Hornets. Mas, novamente, sofreu com lesões e deixou a NBA.

Em 2004, pela primeira vez na história, dois brasileiros tiveram seus nomes chamados na noite do Draft. O Toronto Raptors, com a oitava escolha, selecionou Rafael "Baby" Araújo, pivô que vinha de BYU. E Anderson Varejão foi recrutado pelo Orlando Magic no início do segundo round, mas foi negociado com o Cleveland Cavaliers. Ao fim daquela noite, muitos brasileiros que acompanhavam a cerimônia imaginavam como seria o futuro quinteto titular da seleção brasileira, já que haviam cinco representantes no melhor basquete do mundo. O futuro nunca pareceu tão promissor. De fato, a situação toda permitia com que tivéssemos esse tipo de pensamento.

Mas a trajetória de Baby foi apagadíssima. Em duas temporadas com o time canadense, não era nem de longe um titular absoluto, muito pelo contrário: atuava cerca de 15 minutos por jogo apenas, com médias que não ultrapassavam os 3.3 pontos e 3.1 rebotes por partida. Foi para o Utah Jazz e, mesmo nas mãos de Jerry Sloan, não conseguiu desenvolver o seu jogo. Após três temporadas, Baby se despedia da NBA e entrava para a história como uma daquelas péssimas escolhas de primeiro round nos Drafts.

Já Varejão teve uma história semelhante à de Leandrinho. Começou sem muito espaço no Cavaliers, mas foi agarrando as oportunidades que apareciam. Sua garra fora do comum e a grande aptidão defensiva fizeram com que Anderson caísse nas graças não só de seu técnico, mas também de sua torcida. Com exceção de Lebron James, Varejão é o jogador que mais vende camisas da sua equipe. Na Quicken Loans Arena, ginásio dos Cavaliers, a torcida compra perucas do Wild Thing - apelido que ganhou nos EUA - para assistir os jogos. Está bem longe de ser um dos grandes craques da NBA, mas é um jogador importante na rotação da sua equipe, muito útil defensivamente e um bom reboteiro. Quando requisitado, corresponde à altura do que se espera dele.

Marcus Vinícius também já esteve na NBA, mas sua trajetória se assemelha a de Rafael Araújo. Com pouco espaço, não deixou saudades no New Orleans Hornets, onde jogou 27 partidas ao longo de duas temporadas. Nesse ano, logo que chegou ao Memphis Grizzlies através de uma troca, foi dispensado. Não voltou mais à atuar na liga depois disso.

Ao longo dos últimos seis anos, colecionamos alguns sonhos, especialmente quando vimos alguns de nossos jogadores entrarem na melhor liga de basquete do mundo - isso sem falar naqueles que eram contratados por equipes européias. Especialmente quando Varejão e Baby entraram na liga, ao mesmo tempo em que Leandrinho ganhava destaque e Nenê era tido como uma grande promessa, muitos esperavam ansiosamente por um futuro esperançoso do nosso basquete. Entretanto, o progresso parou por aí. A Confederação Brasileira continuou a fazer o que sempre fez: nada. E alguns daqueles que estavam na NBA acabaram deixando a liga por deficiência.

Seis brasileiros estiveram na liga, mas hoje restam apenas três: Nenê, Leandrinho e Varejão. O primeiro, mesmo com um início de carreira muito promissor, ainda procura se firmar e voltar à evolução que vinha apresentando nos primeiros anos de carreira. E, após ter vencido a batalha pela vida no ano passado, terá condições de retomar seu caminho. Já os outros dois conquistaram seus espaços e dificilmente serão mais do que são hoje: bons reservas.

Na nossa primeira coluna, falamos sobre os argentinos e relacionamos o sucesso de seus atletas na NBA com o sucesso da seleção. A Argentina é a atual campeã olímpica e uma das poucas seleções no mundo capaz de enfrentar os americanos e os fazer com que eles se sintam ameaçados. Andrés Nocioni, Fabricio Oberto e Luis Scola chegaram na NBA e se estabeleceram em suas equipes. Walter Herrmann, mesmo com pouco tempo de quadra devido à grande concorrência no Detroit Pistons, assinou um novo contrato com a equipe. Carlos Delfino nunca foi um jogador que chamasse a atenção dentro da NBA, mas tanto no Pistons como no Toronto Raptors, tinha lá o seu papel vindo do banco de reservas e o desempenhava muito bem. Entretanto, com proposta financeiramente melhor, foi para a Europa. Por fim, Manu Ginóbili é gênio. Sua nacionalidade é como se fosse um detalhe perto do seu brilhantismo: não é um argentino dentro da NBA, é um grande jogador que nasceu na Argentina.

Talvez a ausência de um jogador decisivo, algo como Manu é para a Argentina, possa explicar alguns fracassos brasileiros. Ou então o número inferior de jogadores bem estabelecidos possa explicar parte da nossa inferioridade. Jonathan Tavernari, possivelmente, será mais um futuro representante do nosso basquete na NBA. Mas não é certo, não é lógico e não é justo colocarmos todas as nossas fichas nele. O que nós precisamos não é de um jogador como ele, e sim de mais jogadores como ele. Necessitamos de mais qualidade e, ao mesmo tempo, de mais quantidade.

Como se não bastasse tanta diferença entre a recente história de sucesso do basquete argentino com a do brasileiro, existe uma que, no momento, é a maior de todas. Ginóbili, Nocioni, Oberto, Scola e Herrmann também estão na NBA. Mas nenhum deles nunca se recusou a representar o seu país.

domingo, 3 de agosto de 2008

Batalhas Históricas - Los Angeles Lakers x Detroit Pistons

Ahh, os velhos tempos..

No ano de 1987, após o quarto título do Lakers pelas mãos de Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar, Pat Riley falou algo que causou polêmica pelos Estados Unidos. Ele prometeu, na festa de despedida, que iria ganhar no ano seguinte e levar o bicampeonato para casa. Havia 19 anos que ninguém fazia isso e portanto essa frase foi muito discutida. O Boston Celtics, com a contusão de Larry Bird, já não vinha tão forte quanto deveria (apesar de continuar como favorito) e o técnico do Dallas Mavericks disse que o Lakers e o Celtics deveriam abrir caminho para o Dallas Mavericks e algum time do leste, pois sua época já terminou. Dentre tantas declarações polêmicas, aqui está uma das finais mais emocionantes de todos os tempos e que poucos acompanharam, mas que até hoje é lembrada como uma das melhores finais de todos os tempos.

O Lakers não vinha de um playoff agradável. O time passou pelo Spurs sem problemas, mas vinha de séries de 7 jogos contra o Utah Jazz e o próprio Dallas Mavericks. O Pistons, por sua vez, passou com muita dificuldade sobre o machucado Boston Celtics, mas não teve tantos problemas contra o Bulls e o Washington. Apesar disso, o Lakers ainda era o favorito absoluto, pois era veterano na final, enquanto o Detroit era um mero rookie. Porém, a série não começou como aparentava ser, pelo menos para a maioria.

Adrian Dantley começou arrebentando. Eu também não sabia que ele era tão bom quanto Isiah ou Dumars, mas ele era. Fazendo cestas de todos os cantos da quadra, Dantley e o Pistons impôs o seu ritmo diante do Lakers, que não estava aguentando a pressão. Uma cena engraçada e que provavelmente mostrou quem seria o vencedor foi ainda no segundo quarto. Faltando 4 minutos para o half time, o time vencia por 11 pontos. Bill Laimbeer chutou de 3 pontos e aumentou para 14. Logo em seguida, Isiah roubou a bola e levou para 17. Aquilo foi mais do que suficiente para provar que o Lakers não teria condições de aumentar o seu ritmo de jogo e ganhar a primeira partida. O Pistons roubava o mando de quadra vencendo o jogo 1 fora de casa.

Os problemas do Lakers não terminaram e o jogo 2 começou complicado antes mesmo do juiz soltar a bola. Além da pressão que o time sofria por estar perdendo mesmo tendo o mando de quadra, Magic estava combatendo uma gripe e sua presença era incerta. Mesmo assim, ele apareceu e dessa vez a coisa seria diferente. O time focou uma marcação pesada em Adrian Dantley com A.C. Green, e mesmo com os bad boys dominando o garrafão o Lakers continuou jogando mais para dentro, com James Worthy comandando o time. No último quarto, uma nova surpresa: O Pistons fez uma série de 17-5 e empatou o jogo em 80. Mas os maiores heróis da história do Lakers ainda não haviam mostrado tudo o que sabiam. Magic havia superado a gripe e o ataque foi focado em Kareem Abdul-Jabbar, que mesmo sendo mandado para a fileira VIP toda hora por Bill Laimbeer salvou novamente o Lakers com seus skyhooks, que venceria o jogo e iria para Detroit empatado em 1 a 1.

Na terra onde Magic Johnson nasceu, o mesmo provaria que não seria tão fácil para eles apesar dos 39 mil fãs lotando o ginásio no jogo 3. Com seus passes espetaculares, Magic e o Lakers não deixaram o Pistons reagir. O jogo se tornou rapidamente um duelo entre Isiah Thomas e Magic Johnson, mas no terceiro quarto foi a vez de James Worthy dominar. Marcando os primeiros 8 pontos do tempo, Worthy e o contra ataque devastador do Lakers recuperou o mando ao vencer sem problemas o jogo fora de casa, calando a torcida de Detroit assim como sua torcida foi calada no jogo 1. Talvez por isso o Lakers tenha sido tão bom. Times com muitas estrelas existiram em montes, mas times que todas as estrelas puxam a responsabilidade quando necessário? Isso é raro.

O Pistons assumiria uma nova estratégia e o jogo 4 colocaria os nervos de todos à flor da pele. Não sabe por que o apelido desse time era bad boys? Veja esse jogo e saberá porque. O time apelou mais na pancadaria do que o Knicks contra o Bulls. O jogo físico do Pistons gerou pancadaria entre todo mundo. Dumars e Scott, Laimbeer e Abdul-Jabbar e até jogadores pacíficos e melhores amigos, Isiah e Magic quase saíram no tapa. Uma estratégia que ninguém coloca defeito, mas que se o Spurs o fizesse seria mais odiado do que já é. Isso foi suficiente para o time de Detroit ganhar os jogos 4 e 5 e ficar à apenas uma vitória do inédito título. Mas o sonho quase foi por água abaixo. Quase.

Em casa, o Lakers seria rejuvenecido e ganharia vida nova, isso o Detroit já sabia. O plano era segurar Magic, que com a pancadaria à solta estava liderando o Lakers em pontuação, já que Isiah era um franguinho perto do mesmo. Mas o Lakers focou o jogo em James Worthy, mantendo-se na liderança. No segundo quarto, Isiah Thomas se machucou. Isso foi suficiente para o coração de todos os torcedores do Detroit irem parar na boca. Sem Isiah, sem título. Era assim que funcionava. Mas Isiah surpreendeu a todos, voltou e ainda marcou heróicos 25 pontos no terceiro quarto. A 1 minuto do fim do jogo, o Pistons ganhava por 3 pontos. Byron Scott diminuiu para um. Laimbeer erra, Kareem pega o rebote, cava a falta e acerta os lances livres que vira o jogo. Dumars erra, e o jogo 7 era necessário.

Acho que o jogo 7 todos sabem o quão emocionante deve ser em uma final. Até mesmo times que nem atacam como Spurs e Pistons fizeram uma final emocionante. Mas o jogo foi incrível mesmo. Lakers começou lento, mas logo se recuperou. Isiah Thomas, apesar de todo ferrado, jogou e marcou Magic muito bem, mas o herói daquele jogo bem como MVP das finais foi, novamente, James Worthy. Com um triple-double, carregou o time nas costas no ataque, com Magic bem marcado e Kareem errando muito. Worthy manteu o time na liderança no quarto final por 4 pontos e garantiu a vitória em casa de 108 a 105, dando o décimo primeiro título para o time mais campeão da década de 80 e aqui acaba nossa análise. Espero que tenham aproveitado e pedimos desculpa pela escassez de posts no fim de semana. Espero que dessa vez o Spurs Brasil poste a parte 2 da história do San Antonio Spurs e continuem comentando. Até a próxima!

sábado, 2 de agosto de 2008

Team USA - 2008 - A volta da supremacia?

"Olha isso!".... Essa é velha hein Kobe!

Olá amigos leitores, estou aqui para iniciar uma nova coluna no blog, chamada Team USA. A coluna consistirá em analisar os selecionados americanos de diversos anos diferente, tenham sido eles vencedores ou perdedores, de olimpíadas ou mundiais, tanto faz. O Dream Team de 1992 não será citado nessa coluna. "Nossa meu deus mas por que?" você deve estar se perguntando. Eu explico. O Dream Team de 92 é de uma importância suprema e uma mera coluna é pouco pra ele, então ele possui um artigo especial só para ele. Egoísmo? Talvez, mas aquele time era fantástico e merece exclusividade. Caso queiram ler sobre ele, não sejam preguiçosos, aqui do lado na parte de artigos especiais você encontra o link para o artigo da equipe americana de 92.

Então vamos começar a primeira análise desta coluna, e não se fala de outra coisa atualmente a não ser as Olimpíadas de Pequim (ou Beijing como alguns preferem), então nada melhor do que falar da seleção atual oras, a equipe que tentará recuperar o prestígio e a supremacia dos americanos perdida nos últimos anos (leia-se Olimpíadas 2004 e Mundial de 2006).

Vocês já devem estar saturados de tanto ouvir falar deles, então vou tentar não ser repetitivo e vou analisar o papel que cada um tem dentro da seleção. A equipe titular tem na armação Jason Kidd e Kobe Bryant, nas alas Lebron James e Carmelo Anthony e como pivô Dwight Howard, e é por eles que eu começo esta análise.

Jason Kidd - Mesmo velho ainda está lá na seleção e não é a toa. Sua experiência e capacidade de organizar o time em quadra são tão importantes que ele não poderia deixar de estar ali. Seu papel basicamente é levar a bola e tocar para o Kobe, Lebron ou o Carmelo. Arremesar e fazer cestas? Isso é só para os fracos, já tem muita gente lá pra fazer isso e o Kidd está lá pra ter pelo menos um que passe a bola. E cá entre nós, em um time cheio de fominhas como Kobe, Lebron e Carmelo, seria complicado se o armador fosse o Arenas por exemplo, que se vier na mão dele ele arremessa a até a própria mãe. Então Kidd é o cara certo para estar lá.

Kobe Bryant - Ah, o MVP da NBA, não poderia faltar de maneira alguma. Mesmo jogando com nove dedos, já que está com o dedo minímo de uma das mãos quebrado (será que ele vai amputar o dedo? Dai ele já poderá ser Presidente do Brasil um dia), ele adiou a cirurgia para jogar as Olimpíadas, o que ilustra a determinação que os americanos vão para esses jogos. Kobe, embora seja importante na seleção, ainda precisa entender que ele não está no Lakers e ele não está sozinho, tem mais gente boa ao lado dele, resumindo precisa tocar a bola de vez em quando.

Lebron James - O fenômeno Lebron, deve estar maravilhado por jogar em um time que ele não precisa fazer tudo sozinho, na seleção tem gente boa para o ajudar, não é fantástico? Pra quem tá acostuma a jogar praticamente sozinho no Cleveland, deve estar sendo uma experiência inesquecível. Ao lado de Kidd e Kobe, Lebron forma o perímetro da equipe, um perímetro de dar medo. O Lebron nessa seleção será uma espécie de um "quebra-galho", aquele cara que pode fazer de tudo um pouco se precisar, armar o jogo as vezes, arremessar uma bolinhas, pegar uns rebotes, enterrar na cabeça de uns grandalhões gringos, embora ele não tenha obrigação de nada, porque se ele não fizer, outros farão. É meio confuso, mas ele é um jogador completo, pode fazer de tudo, mas se não fizer alguma coisa, terá alguém para fazer no time. O que ele terá de fazer mesmo é marcar, já que o Carmelo acha que defender é coisa de criança mimada, então o Lebron vai ter que se desdobrar pra marcar o dele e o do Melo também.

Carmelo Anthony - Você pode achar estranho o Carmelo de titular na posição 4, mas ele é tão bom jogando nas regras FIBA que ele simplesmente não pode ficar fora desse time, então tinham que arrumar um lugar pra ele e arrumaram! Carmelo é o melhor jogador americano no estilo FIBA, então não se espantem se Melo for o cestinha americano e não Lebron ou Kobe como era de se esperar. Carmelo tem um ótimo jogo de costas pra cesta, excelente arremesso de média distância e na linha de 3 da FIBA (que é mais próxima que a da NBA) é mortal. Embora seu físico não seja o ideal para a posição 4 na NBA, na FIBA ele pode jogar tranquilamente ali, já que as outras seleções não costumam ter aqueles brutamontes enormes como na NBA. O problema é fazer o Carmelo defender, isso será um problema, mas quem sabe uma lavagem cerebral pelo menos o faça erguer os braços no campo defensivo?

Dwight Howard - Ele está lá pra pegar rebotes, dar tocos e enterrar na cabeça dos pivôs adversários. Apesar de não ser muito acionado no ataque terá importância crucial na defesa. É até estranho você ter um super-pivô como o super-homem e não acioná-lo no ataque, mas em um time que tem Kobe, Lebron e Carmelo juntos dá pra entender porque a bola não chega, ela vira arremesso antes de o coitado do pivô tocar na bola. Outra coisa importante, Howard é o único pivô de ofício nessa seleção, então tem que tomar cuidado com as faltas para não comprometer toda a equipe.

Agora que eu falei dos titulares agora vou falar rapidamente dos reservas. Apesar de ser um pouco estranho chamar caras como Chris Paul, Deron Willians e Chris Bosh de reservas. Não sei com quem começar a escrever, então será por ordem alfabética mesmo...

Carlos Boozer - Joga pouco tempo, fica mais sentado no banco que qualquer outra coisa. Mas afinal alguém precisa passar o gatorade não é verdade? Mas fato é que ele poderia entrar um pouco mais já que os EUA tem poucos jogadores de ofício pro garrafão. Mas um cara com um arremesso tão esquisito tem que ficar no banco mesmo e pronto.

Chris Bosh - Um reserva pro garrafão deve ser tratado como uma jóia valiosa. Bosh vai reclamar um pouco já que terá que jogar de pivô algumas vezes embora ele já tenha declarado que não gosta de jogar como um center. Será importante para não sobrecarregar Howard e para substituir Melo caso pegue uma dupla de garrafão muito forte ou muito alta.

Chris Paul - Ganhou a vaga na lista de convocados que vinha sendo de Billups. Mas fez por merecer, jogou muitíssimo bem na última temporada pelo Hornets. Quando o Kidd cansar (o que não deve demorar já que velhos cansam rápido), Paul disputará os minutos em quadra com Deron (até nisso os dois são rivais, impressionante).

Deron Willians - Seu estilo de jogo mais cadenciado e mais voltado ao jogo de meia-quadra, pode ser importante quando os EUA enfrentar seleções que jogam fechadas e com defesas fortes como a Grécia por exemplo.

Dwayne Wade - Reserva de luxo do Kobe. Joga muito bem sob as regras FIBA. Será peça importante vindo do banco para, entrando no lugar do Kobe se ele estiver muito fominha e jogando mal, e também para o Kobe descansar as vezesm afinal ninguém é de ferro.

Michael Redd - Sua função é entrar, arremesar de 3, tirar o time do sufoco e voltar pra deixar o banco quentinho denovo.

Tayshaun Prince - Defender é a palavra de ordem. Pode entrar no lugar do Lebron ou as vezes no lugar do Carmelo, afinal de contas precisam defender de vez em quando só para quebrar a rotina.

A comissão técnica é formada por Mike Krzyzewski e seus assistentes técnicos: Mike D'Antoni, Jim Boeheim, Nate McMillan.

Mike Krzyzewski, conhecido também por "Coach K", tem 61 anos, embora as aplicações de botox faça parecer menos. É técnico universitário a mais de 30 anos, e comanda a equipe de Duke desde 1980. Já ganhou 3 títulos universitários e diversos prêmios pessoais, entre eles foi nomeado em 2001 para o Hall Of Fame do basquete. É gabaritado para estar na posição que está, embora nunca tenha sido técnico na NBA, ele diz que não estar na NBA o ajuda no comando da seleção. "Coach K" é técnico da seleção americana desde de 26 de outubro de 2005. Ser técnico da seleção americana de basquete deve ser moleza! Tantos bons jogadores e você pode escolher quem quiser. Mas não é tão fácil, é como ser técnico da seleção brasileira de futebol, uma baita pressão, todos estão de olho em você, você precisa lidar com o ego dos jogadores, convencê-los a passar a bola, não é tão fácil quanto parece.

Os assistentes... bom são só assistentes mesmo, quem se importa com eles? Se você quiser saber mais sobre eles, o google e a wikipedia estão ai justamente para isso!

O meu parecer final sobre este selecionado é que eles tem tudo para retomar a supremacia perdida nos últimos anos. A seleção é muito forte, conta com os melhores jogadores do mundo sem dúvida, tem uma boa comissão técnica, e o principal, os jogadores estão com disposição e vontade de vencer. E quando se junta os melhores jogadores do mundo com disposição e vontade de vencer fica difícil parar este time. O ouro nos Jogos Olimpicos que estão prestes a começar parece iminente.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Minneapolis Lakers – O primeiro bi-campeonato 1949/1950 – Parte Final

No primeiro post, você conheceu um pouco do elenco do time, bem como as surpresas que o time havia ajustado na defesa para a próxima temporada. Também viu a temporada regular e o primeiro round dos playoffs, contra o Indianapolis Olympians. Agora, a continuação das séries.


Conference Finals – Minneapolis Lakers x Fort Wayne Pistons


Jesus, como é difícil achar essas fotos..

Time-base: Fred Schaus – Clint Wager – Bob Carpenter – Jack Kerris – Howie Schultz

Sério, é demais pra minha cabeça escrever isso. Todos, eu disse TODOS do time tem a posição marcada como “F-C”, “C” ou “C-F”. Isso mesmo, não tinha um, UM guard na equipe, a não ser um cara que nem entrava em quadra e que não tinha média nenhuma nos playoffs. O que isso nos leva a crer? Bem, a começar que eram um bando de idiotas que iam pegar 500 rebotes e não tinha nenhum arremessador. Ou o Pistons é um relato do primeiro “Nowitzki” da liga, ou seja, aquele gigante que sabe arremessar. De qualquer maneira, era um time alto e consequentemente difícil de marcar. O problema não é bem esse. O problema é que o Fort Wayne PERDEU as semi finais de conferência e estava classificado. Ah, o Olympians, time que você viu perdendo ali atrás, também se classificou. Como?! Eu posso explicar.

Na verdade, não posso, mas posso tentar. Houve 4 partidas nas semi finais. Duas terminaram em 2 a 0, e outras duas em 2 x 1. Esses que perderam sem vencer saíram, e os outros dois classificaram. Aí você vai pensar “Mas desse modo, 6 se classificaram!”. Pois é, mas o New York foi desclassificado e o Syacuse Nationals passou diretamente às finais, sobrando apenas 4 que disputariam para ver os dois semi finalistas. Parece confuso, mas é no mínimo imbecil. Por que não classificar somente quem passou e sem essa viadagem de chegar às finais direto? Eu sei lá, mas o Lakers mostraria ser um obstáculo maior que a última derrota do Pistons, e terminou a série em dois jogos sem perder nenhuma. Mikan provaria que não era um time inteiramente alto que o pararia, manteria sua alta média de pontos e avançaria para a próxima fase. Isso mesmo, as finais de conferência ainda não eram o último passo para as finais!


NBA Semifinals – Minneapolis Lakers x Anderson Packers


Não achei nada relacionado à NBA sobre Packers

Time-base: Frankie Brian – Red Owens – John Hargis – Bill Closs – Milo Komenich

Um time sem foto. Muito legal. Mas podemos deduzir algumas coisas sobre esse time. A começar, Anderson não é nome de cidade portanto é um nome ridículo. Em segundo lugar, era um time completamente oposto do grande Fort Wayne Pistons. Era um time baixo, na qual sua estrela maior era o armador do time e portante podemos falar a vontade dele pois eu sei quantas assistências ele deu. No mais, o time ganhou das mesmas equipes que o Lakers até o momento, o Indianapolis Olympians e o Fort Wayne Pistons, e agora os dois times disputariam, numa série melhor de 3, quem iria para as finais com o Syracuse Nationals, que no caso seria uma melhor de 7 jogos. Já que um time totalmente alto provou não ser o ideal para parar Mikan, quem sabe mais velocidade e assistências rápidas não resolveriam o problema?

Mas não resolveu. Muito pelo contrário. Mikan provou de vez que não havia um pivô bom o suficiente para marcá-lo na época e logo tratou de vencer a série em dois jogos tranquilos. Com uma média de 22 pontos de diferença a cada jogo, o Minneapolis Lakers avançava à final com um recorde. Mikan tinha até o momento médias de 33 pontos por jogos nos playoffs. Uma marca incrível, não? Pena não existir MVP das finais. Mas após um sistema de playoffs mais complicado do que uma equação de segundo grau, enfim o Syracuse Nationals iria jogar de novo, após passar da primeira fase frente ao Philadelphia Warriors.


NBA Finals – Minneapolis Lakers x Syracuse Nationals


Quem é o time? Vocês são o time!

Time-base: Al Cervi – Johnny Macknowsky – Dolph Schayes – Alex Hannum – George Ratkovicz

Não sei muito sobre esse time, mas era o mais conhecido que o Lakers enfrentou. O time entrou na NBA com 4 jogos já disputados, por isso tinha o mando de quadra sobre o Minneapolis Lakers. Apesar de ambos tendo o mesmo número de vitórias, o Nationals tinha 4 vitórias a menos e portante os primeiros jogos numa melhor de 7 de forma 3-4-3 era em Syracuse. Uma série como essa mostra o quão importante é o mando de quadra e a presença da torcida (por mais que não tenha sido exagerada e fanática como é hoje). Mesmo o time como o Lakers, que era o time a ser batido, teria problemas pela primeira vez nos playoffs. E de fato foi o que aconteceu.

O Lakers começou perdendo pela primeira vez. Estou falando do jogo. Era o fim do último quarto e o Lakers ainda estava perdendo. Coisa inédita nos playoffs? Seria a primeira vez que o time perderia o jogo 1 e finalmente seria derrotado? Parecia que sim. Mas eu simplesmente acho a NBA mais surpreendente do que o futebol, não dá pra acreditar. Com o jogo empatado e indo à uma prorrogação (se não fosse prorrogação eu como minhas meias!), o Lakers fez um lance histórico. Não sei quem foi e sinceramente não achei relatos disse. Pode ter sido Mikan, Pollard e até o Martin, mas o segundo milagre que se tem registro aconteceu (o primeiro foi do Philadelphia no primeiro ano da BAA, em 1947). Alguém fez a cesta da vitória e o Lakers provou que não viria a ser batido, vencendo o jogo 1 e dando náuseas ao Nationals.

A partir daí, o psicológico do time diz tudo. Ou o time é forte e equilibrado o bastante e se mantém ou logo desmoronou, e era extremamente difícil não desmoronar diante disso. O time acabou deixando em 3 jogos a 2, mas a derrota foi inevitável e o Lakers venceu pela segunda vez consecutiva, primeira vez na história da liga. E aqui termina a análise. Até a próxima e continuem me ajudando a solucionar o grande mistério que eram os playoffs!

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Minneapolis Lakers - O primeiro bicampeonato 1949/1950

Isso sim era um jogador de classe

E mais uma análise da época que a sua bisavó pegava geral. Vamos relembrar umas coisas. A BAA havia se unido com a NBL, porém ainda era chamada de BAA. Nessa, o Minneapolis Lakers se sagrou campeão. Agora, era o primeiro ano em que a liga se chamava oficialmente National Basketball Association, com três divisões (leste, oeste e central) e 17 times no total. O Lakers ainda não perdeu o seu sensacional arsenal no ataque e agora vinha com uma surpresa nova na defesa.

Novamente temos aquele problema que eu adoro de falar sobre um dos melhores pivôs que a liga conheceu e sem saber o número de rebotes que ele pegava. Que maravilha. Whatever, Mikan foi o único pivô dominante na sua época, o que facilitava muito para ele. Mas apesar disso, ele influenciou demais o basquete que conhecemos hoje. E eu nem estou falando da existência do Minnesota Timberwolves ou daquela bola colorida escrota da ABA, cujo Mikan foi responsável direto pelas mesmas. Estou falando de coisas do básico do basquete. A criação do relógio de tempo de posse de bola foi criado porque ele simplesmente só soltava a bola na hora que tinha que soltar. Ele foi o responsável por criar a linha de 3 pontos na ABA e mais tarde o campeonato de 3 pontos na NBA, além da regra dos três segundos defensivos do garrafão. Sem dúvida, Mikan foi um herói.

Mas, é claro, o time não se baseava só nele, apesar de só ele ser lembrado da primeira dinastia que a NBA conheceu. O time ainda contava com o melhor arremessador da época que foi muito prejudicado por ainda não existir a linha dos 3 pontos, mas o que não o impedia de seguir em frente com seus arremessos, Jim Pollard. Além dele, Vern Mikkelsen formava o primeiro big three poderoso que a liga conheceria. Formado em psicologia, Mikkelsen infiltrava como ninguém, e isso simplesmente gerou uma combinação perfeita numa época que todo mundo fedia. Tudo bem, isso aí já tinha no primeiro campeonato. Mas agora o Lakers, além do melhor arsenal de ataque, contava também com o primeiro especialista defensivo da liga, Slater Martin. Ora essa, num jogo em que se deve colocar a bola na sexta quem diabos iria se especializar só em marcar? Martin fez isso, e rapidamente criou o seu espaço na liga que ainda estava começando. Pra se ter uma idéia, quando Martin saiu do Lakers foi para o St. Louis Hawks e ganhou mais um título antes de se aposentar. Tá vendo como defesa é importante? Enquanto você fala mal do Bowen ele ganha campeonatos.

Arnie Ferrin completava o time titular. Quer dizer, eu acho né. Mas era o que tinha a maior média de pontos depois desses 4, então deve ser ele, já que os inúteis dos nossos avós não contavam nem os minutos que cada um jogava. Enfim, esse era o time que iria para a quadra com o sonho de ser bicampeão. Podemos notar naquela época um aumento considerável no lucro da NBA. A liga ainda não tinha um logo pré formado (para a sua curiosidade, o cara com a bola na mão do símbolo é o Jerry West, que ainda não havia entrado na liga), e George Mikan aumentaria o seu nível de jogo novamente. O jogador chegou a uma média de incríveis 27.4 pontos e 2.7 assistências. Rebotes? Não faço idéia. Mas comparando com jogadores como Bill Russel, que surgiria tempos depois e tudo o mais, e o nível tático da liga, ele devia ter em torno de 14 rebotes por jogo. Era ou não era um pivô espetacular. Só não foi MVP porque ninguém teve essa idéia ainda.

O time terminou com um respeitoso 51-17, empatando com seu parceiro de divisão Rochester Royals. Foi o maior número de vitórias da liga, mas nenhum dos dois teve a melhor porcentagem de vitórias. A maior ficou com o Syracuse Nationals, terminou com um 51-13. 51-13?!?! O time jogou 4 partidas a menos?? Eu simplesmente não entendi e não achei nada a respeito disso, mas pelo que eu vi é isso mesmo. O time netrou para a oficial NBA esse ano com 4 partidas já disputadas. Vai entender essa coisa louca. Mas os playoffs estavam aí e o Lakers não enfrentaria times tão fortes logo de cara. Antes, era um time com um nome muito legal.


Conference Semifinals – Minneapolis Lakers x Indianapolis Olympians


Olha o tamanho desse infeliz..

Time-base: Ralph Beard – Bruce Hale – Wah Wah Jones – Joe Holland – Alex Groza

Um time chamado Olympians? Um astro chamado Alex Groza? Um cara no time chamado Wah Wah? Esse time foi sem dúvida o time mais divertido da década de 50! O time tinha um pivô enorme o suficiente para marcar George Mikan, um arremessador à altura de Jim Pollard e tinha o grande Wah Wah Jones! Precisa mais do que isso para agradar torcedores? Se esse time ainda existisse eu seria um torcedor fanático do Indianapolis Olympians, além de ter uma camisa de Wah Wah Jones que cuidaria tão bem quanto cuido minha camisa do Jordan da universidade de North Carolina. Anyway, o time estava em uma divisão disputada. Mas não disputada de dificuldade, mas sim de nomes ridículos!

Pense em uma divisão cujo único nome normal é o Nuggets, o que nem é um nome tão normal assim. Além dele, havia o próprio Indianapolis Olympians, o Waterloo Hawks, o Sheboygan Redskins, o Tri-Cities Blackhawks e o Anderson Packers. Fala se isso são nomes de times de basquete? Havia o Hawks e o Blackhawks! Parece coisa de desenho japonês quando tem o seu lado negro. Mas infelizmente não deu para nenhum deles assim como não deu para o Indianapolis Olympians. George Mikan cravou uma média de 33.5 pontos no começo dos playoffs e logo levou o time pra casa, em dois jogos a um. Mas o caminho do Lakers estava longe de acabar. No próximo post, a continuação das séries.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Estrangeiros na NBA - Dirk Nowitzki


De volta à coluna, faremos nessa semana uma homenagem a um jogador que conseguirá realizar um sonho de infância: disputar as Olimpíadas. Trata-se de Dirk Nowitzki, astro do Dallas Mavericks e herói alemão.

Mas esse foi o objetivo mais recente que Nowitzki conseguiu alcançar. Muito antes disso, o garoto nascido em Wurzburg - que na época fazia parte da Alemanha Ocidental - se dedicou bastante para virar jogador de basquete. Dirk pertencia à uma família de esportistas. Sua mãe, Helga, jogou basquete profissionalmente. Já o seu pai, Jorg-Werner, era jogador da seleção alemã de Handball.

Com toda essa influencia familiar, podia-se esperar que Dirk Nowitzki seguiria o mesmo caminho dos pais e viver no meio esportivo. E logo cedo já dava para perceber que isso de fato aconteceria. Aos 15 anos, jogava em um time local quando despertou o interesse de Holger Geschwindler, um ex-jogador da seleção alemã. Os dois passaram a treinar juntos três vezes por semana, e o veterano fazia questão de dar um foco maior a exercícios de arremessos e passes. Depois de um ano, Geschwindler quis saber quais eram as pretenções do jovem jogador: ser apenas um ótimo jogador e ídolo local ou elevar seu nível e jogar contra os melhores? Dirk preferiu a segunda opção. E foi assim que, em 1994, aos 16 anos de idade, Dirk fazia parte do elenco profissional do DJK Wurzburg. Curiosamente, alguns de seus companheiros de equipe na época eram Robert Garrett e Demond Greene, jogadores que hoje atuam junto com Nowitzki na seleção alemã.

Naquela oportunidade, sua equipe estava na segunda divisão da liga alemã. Seu início não foi lá tão brilhante. Mas também não era justo esperar que um garoto de 16 anos chegue a um elenco profissional e se destaque. A partir de sua segunda temporada com a equipe, seu jogo foi evoluindo, mas o time não conseguiu o acesso à elite. No ano seguinte, Dirk Nowitzki teve que prestar serviço militar. Como o próprio atleta descreve, foi difícil conciliar suas atividades com o basquete, principalmente porque ele não tinha nenhum tipo de privilégio. De algum jeito, Dirk conseguiu conciliar e teve um grande salto na sua carreira: com médias de 28.2 pontos por jogo, liderou sua equipe ao acesso à primeira divisão da liga alemã de basket. De quebra, foi eleito o melhor jogador do país naquele ano.

Seu sucesso não havia passado desapercebido. Em alguns eventos da Nike em meados de 1998, teve a oportunidade de jogar contra os maiores astros da NBA na época. Em duelos contra jogadores como Charles Barkley e Scottie Pippen, Dirk chamou a atenção de alguns olheiros do melhor basquete do mundo. Alguns meses depois, no Draft de 1998, seria selecionado pelo Milwaukee Bucks na nona escolha. Mas (conforme a matéria anterior do blog informou), os "sábios" cartolas do Bucks desejavam contar com Robert Traylor. Assim, as duas equipes trocaram suas escolhas. Sorte dos texanos, azar do Bucks, que deve se lamentar até hoje. Vale lembrar que ele foi apenas o quarto jogador alemão da história a entrar na NBA.

No entanto, engana-se quem pensa que ele estourou na liga logo de cara. No seu primeiro ano, atuando na posição 3, não anotou mais do que oito pontos por partida, em pouco mais de 20 minutos de quadra por jogo. Tinha grande dificuldade de jogar contra atletas fisicamente mais fortes. Mas foi a sua defesa - ou a sua ausência de - que o marcou durante a sua primeira temporada. "Eu até cheguei a pensar em voltar para a Alemanha. Pular da segunda divisão alemã para a NBA era como saltar de um avião com um para-quedas e torcer para que ele, de algum jeito, se abra de repente", declarou Nowitzki quando se recordou da época.

Atuando como um ala-pivô (posição 4) na sua segunda temporada, teve uma significativa melhora de desempenho. Sua média de pontos por partida subiu para 17.5, além de pegar 6.5 rebotes por embate. Seu tempo de quadra quase dobrou: agora, atuava mais de 35 minutos em cada jogo. No All Star Game de 2000, tornou-se o jogador mais alto da história a participar do torneio de 3 pontos. Ficou em segundo lugar na votação para o jogador que mais se desenvolveu naquela temporada, perdendo o prêmio para Darrell Armstrong, então armador do Orlando Magic.

A partir daí, seu jogo foi evoluindo ano a ano e, proporcionalmente ao seu sucesso, sua importância para o Dallas Mavericks também crescia. Na temporada 2000-01, foi, ao lado de Michael Finley, o único jogador a atuar e ser titular em todas as 82 partidas da temporada regular. Tornou-se o primeiro jogador da história da franquia a fazer parte do All NBA Team, ainda que fosse para o terceiro. Seu time chegou aos playoffs pela primeira vez desde 1990 e eliminou o Utah Jazz antes de ser eliminado pelo San Antonio Spurs na segunda fase.

Em 2002, foi chamado para o seu primeiro All-Star Game. Definitivamente, Dirk figurava entre os melhores da liga. O fato de ter assinado um contrato de US$ 90 milhões por seis anos antes da temporada começar foi considerado como uma decisão arriscada da direção do Mavericks, mas o tempo provou que eles não estavam errados. Além do sucesso individual, a equipe se tornava (e é até hoje) figurinha carimbada de playoffs. Nos jogos de pós-temporada, seu rendimento era ainda mais satisfatório. Quando o Mavericks eliminou o Timberwolves na primeira fase, Dirk Nowitzki teve média de 33.3 pontos por partida na série. Mas, novamente na segunda fase, foram eliminados. Dessa vez, o algoz foi o Sacramento Kings, uma das melhores equipes da liga naquela época.

Na temporada 2002-03, o Dallas Mavericks teve um início sensacional, vencendo suas 11 primeiras partidas. Com 60 vitórias e 22 derrotas, o time fez sua melhor campanha da história e ia para a pós-temporada mais confiantes do que nunca. O time chegou à final de conferência (tendo se vingado do Sacramento Kings no meio do caminho). Entretanto, o adversário era o grande rival San Antonio Spurs. No duelo texano, o time comandado por Gregg Popovich levou a melhor e, algumas semanas depois, comemoraria o título da NBA.

Muito criticada no início da sua carreira, sua defesa melhorava cada vez mais. Antes do início da temporada 2003-04, ganhou cerca de 9 Kg de massa muscular para melhor encarar os big men da liga. Nesse mesmo período, o Mavericks adquiriu Antoine Walker, jogador que tinha mais ou menos as mesmas características de jogo que o alemão. Com a falta de pivôs no elenco, o então técnico Don Nelson resolveu escalar Dirk na posição e usar Walker como ala-pivô. A massa muscular adquirida nas férias acabou sendo fundamental para aguentar o ritmo no garrafão. A experiência não deu muito certo: mesmo ainda sendo o líder do time em vários quesitos, suas médias caíram. E, logo na primeira fase dos playoffs, o Mavericks caiu frente ao Kings em cinco jogos.

Com o passo dado para trás, algumas mudanças ocorreram no time, e muitas delas foram bastante contestadas. Avery Johnson, ex-assistente técnico de Don Nelson, assumiu a equipe. Além disso, o pivô Erick Dampier chegou ao time, mas o armador Steve Nash - um grande amigo do alemão na liga - foi para o Phoenix Suns como um agente livre. Seu jogo voltou a crescer: suas médias de 26.1 pontos e 9.7 rebotes por jogo eram as melhores da carreira. Entretanto, na segunda fase dos playoffs, o time seria eliminado por um velho conhecido: o próprio Steve Nash, que liderava o Phoenix Suns.

Mais um do chamado "Big Three" de Dallas abandona a equipe antes do início da temporada 2005-06: Michael Finley, que iria parar no arque-rival San Antonio Spurs. Mais uma vez contestado, o Dallas Mavericks deu um passo ainda maior: chegou à final da NBA. Curiosamente, Nowitzki se deu bem com o papel de líder e principal estrela do time após as saídas de Nash e Finley. Seu aproveitamento nos arremessos de quadra nunca esteve tão bom. Entretanto, na final, contra o Miami Heat, seu time vencia a série por 2 a 0 e permitiu a virada e o título da equipe da Flórida. A série tornou-se bastante emblemática pelas discussões extra-quadra entre o alemão e Dwayne Wade. O astro do Miami Heat deu a entender, para os bons entendedores, que Nowitzki era um "amarelão".

Bem, a temporada 2006-07 traz à tona tudo o que Wade havia dito. Com excelentes performances, alguns especialistas afirmavam que ele estava jogando num nível em que nenhum outro ala esteve desde de Larry Bird. Liderou o Mavericks à melhor campanha da liga (e a melhor da história da franquia) com 67 vitórias. Venceu o prêmio de MVP da temporada, tendo se tornado o primeiro europeu a conquistar tal feito. Na primeira rodada dos playoffs, o adversário era o Golden State Warriors, comandado por Don Nelson, o mesmo homem que havia construído o Dallas Mavericks, que foi, por vários anos, um mentor para Nowitzki. E, o mais importante, que sabia como pará-lo. Em uma das séries mais impressioanntes da história da NBA, o Warriors eliminou o Mavericks. E, imediatamente, choveram críticas ao alemão. Muitos colocavam em cheque o merecimento do seu prêmio de MVP. Em algumas semanas, foi do céu ao inferno. E algumas pessoas passaram a se lembrar, mais do que nunca, do que Dwayne Wade havia declarado.

Nessa última temporada, Jason Kidd chegou ao time e muitos consideravam que, pelo menos teoricamente, o Mavericks era candidato ao título. O time demorou para engrenar e foi eliminado pelo New Orleans Hornets, time que havia feito a segunda melhor campanha do Oeste. O futuro é incerto. Com um novo treinador (Avery Johnson saiu e deu lugar a Rick Carlisle), pode ser que as peças se encaixem e que o Dallas volte a disputar o título.

Para aqueles que o criticam, Dirk Nowitzki deu uma ótima resposta no Pré-Olímpico mundial que foi disputado na semana passada. Em tempos que os times da NBA tendem a dificultar cada vez mais as idas de seus jogadores-chave para defenderem suas seleções, Dirk bancou o seguro com o seu próprio dinheiro e foi para a disputa exatamente por sonhar em participar de uma Olimpíada. Para os brasileiros que esperavam uma amarelada do jogador na partida contra nossa seleção, a resposta foi dada dentro de quadra. O resultado final disso tudo é que, após 16 anos, a Alemanha volta a disputar uma Olimpíada.

O exemplo de Dirk Nowitzki (por que não?) deve ser seguido. Primeiramente, por optar, ainda jovem, por jogar contra os melhores jogadores do mundo. Depois, por elevar cada vez mais o nível de seu jogo com o passar dos anos. O fato de ter atingido uma meta pessoal é fantástico. Mas, mais digno ainda do que isso, foi a vontade e orgulho de defender a seleção de seu país. Esses exemplos não servem apenas para aqueles que estão começando no esporte. Infelizmente, muitos marmanjos brasileiros e que já estão no meio profissional estão precisando se espelhar um pouco mais em Dirk Nowitzki.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O "Projeto Lebron"

Oh dúvida cruel!


Um dos assuntos mais comentados atualmente é sobre a possibilidade de Lebron James se tornar agente livre no ano de 2010. E muita confusão está sendo criada nos bastidores desde agora. Muito se fala que Lebron vai sair porque em Cleveland ele nunca ganhará nada, outros dizem que ele continuará lá por amor ao time. Então vamos analisar toda essas situação e as possibilidades existentes.

Lebron James na off-season de 2010 terá a opção de tornar-se agente livre irrestrito, isto é, poderá optar por sair de seu contrato e assinar com a equipe que quiser por quanto quiser. E Lebron James disponível no mercado não é uma coisa que acontece todo dia então que for mais esperto aproveitará essa chance. Desde de já algumas equipes começam a se mobilizar para tentar contar com os serviçoes de Lebron em 2010, para isso as franquias se livram de contratos de grande valor e principalmente de contratos longos, e buscam encher o time de jovens promessas e de contratos expirantes, assim eles podem ver se algum jovem vai virar um bom jogador pra ajudar ou Lebron e se não der certo o contrato acaba e a equipe o manda ir pescar e pronto.

Alguns dos prováveis destinos de James são New Jersey Nets, New York Knicks e agora surge o nome do Denver Nuggets também. Porém ainda existe a chance de ele resolver ficar em Cleveland mesmo e deixar todo mundo a ver navios depois de desfazer o time todo por causa dele. É risco, que quem quiser Lebron em seu time terá que correr.

O favorito para receber James, caso ele realmente opte por deixar o Cavaliers, é o New Jersey Nets, e as primeiras cartadas para isso acontecer já foram dadas. Trocaram Richard Jefferson, uma das estrelas da equipe (portanto um dos maiores salários também) por Yi Jianlian, um jovem chinês que não é tão grande como Yao mas que parece ter potencial e um outro mané qualquer que logo vai dar uma volta também. Assim o Nets vai livrando os maiores e mais longos contratos do time em troca de jovens e uns contratos que logo irão terminar. Outra carta na manga do Nets é que o Rapper Jay-Z. E você me pergunta: "O que o cara que pega a Beyoncé tem a haver com isso?". Eu explico, Jay-Z é um grande amigo de Lebron James e é um dos donos no Nets também, portanto fica fácil convencer Lebron a mandar o Cavs ir pastar e ir jogar no time de um amigo pessoal. Muitos dizem também que o Nets não ficará mais em New Jersey até 2010, e irá se mudar para o Brooklin em Nova York, ou seja uma cidade que é um grande centro. O Nets sem dúvida é o favorito a receber Lebron James em 2010 e tem todas as cartas necessárias para isso, mas o mundo da NBA é cheio de surpresas e não se pode tirar conclusões precipitadas.

Outra opção muito comentada é o New York Knicks. Você pode dar risada da cara do Knicks, mas isso é realmente sério. O Knicks é o time que mais gasta com salários na NBA e não tem ninguém que presta por lá, incrível isso não? Então porque não pagar essa grana toda que eles dão para estes inúteis para Lebron James e ser feliz para sempre? A favor do Knicks tem a Nike, que com Lebron jogando em um grande centro como Nova York iria faturar milhões e milhões a mais para seus caixas, inclusive dizem que no contratao de patrocínio de Lebron James há uma cláusula que ele ganhará dobrado pelo patrocínio da fornecedora de material caso vá jogar em Nova York, o que realmente é tentador. Contra o Knicks tem todo o problema da estrutura da equipe de um modo geral que está uma bagunça. Contratos longos e gordos para jogadores igualmente gordos como Zach Randolph, Eddy Curry e Jerome James, podem atraplhar os planos da fraquia, já que eles precisariam liberar cap para fazer uma proposta a Lebron e ninguém vai aceitar esses inúteis com esse contratos de dar medo em qualquer General Manager. Mas quem sabe Lebron não aceite um salário menor para jogar em Nova York, visto que ele receberá uma verdadeira fortuna da Nike que compensaria com folgas as perdas salariais?

O Denver Nuggets é mais um que pode entrar nessa briga. Finalmente perceberam que o time que ai está não deu e nem vai dar em nada e se tudo conituasse com estava eles iriam morrer sempre no primeiro round dos playoffs até todo mundo ficar bem velho e resolver se aposentar. Então eles resolveram que vão mudar e começaram a limpar a folha salarial quem sabe visando Lebron em 2010. Eduardo Najera, o melhor jogador de garbage time da equipe, não teve contrato renovado e Marcus Camby foi para o Los Angeles Clippers a troco de uma quentinha para o almoço. Nessas movimentações já deixarão de ser pagos algo em torno de 13 ou 14 milhõs de doláres em salários. Em 2009 o gordo contrato de Iverson termina e serão 20 milhões a menos, isso se Iverson não renovar, mas se ele acabar renovando provavelmente será por um salário bem menor, ainda mais se falarem pra ele que Lebron James jogará ao seu lado, será a grande chance de Iverson ganhar o seu desejado anel. Tudo bem que teriam que colocar duas bolas em jogo, uma para Iverson e outra para Lebron, mas com um bom técnico as individualidades podem ser reduzidas. Iverson inclusive passa por uma situação engraçada, deixou o Sixer para tentar um título em Denver e hoje o Nuggets está por baixo e o Sixers por cima.

Embora existam todas essas especulações, todas eles podem ir por água a baixo caso Lebron resolva ficar em Cleveland. Pode pesar na consciência dele e ele resolva ficar e continuar sofrendo levando a equipe nas costas em busca de um título, já que os dirigentes parecem incompetentes o suficiente para montar um time com jogadores que ajudem o grande astro a ganhar um anel. Pra dizer a verdade, na minha opinião a única chance de Lebron continuar para sempre em Cleveland é caso ele consiga ser campeão até 2010, e isso parece pouco provável. A questão financeira não será determinante, pois diversas equipes irão lhe oferecer contratos multi-milhonários, e a vontade de ser finalmente campeão pode falar mais alto na hora de Lebron james decidir.

Em 2010 será declarado aberto a temporada de caça a Lebron James e muitos times já preparam suas espingardas para ir a caçada, então fiquem ligados qualquer movimentação que ocorrer daqui até 2010 pode ser parte do "Projeto Lebron", inclusive mandar Camby a troco de nada pode ser parte do projeto e, em 2010 se o Denver conseguir Lebron, todo mundo que hoje diz que o GM do Denver é um maluco vai dizer que ele é um gênio. O problema é se qualquer burrice que algum GM fizer pode ter como desculpa o "Projeto Lebron", então muito cuidado.